Bon Appetit, Sucuri

by Baby Lixo

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O primeiro EP da Baby Lixo, "Bon Appetit, Sucuri", reúne 7 canções do compositor e produtor Heitor Dantas, concebidas entre 2007 e 2011. A co-produção do álbum é de Jorge Solovera.

Norteados pela idéia de que estavam fazendo um EP de rock, os dois buscaram uma sonoridade mais áspera na gravação, tentando fugir da tradicional estética pop. Acabada a gravação, foram ainda adicionadas às faixas recortes de seriados e desenhos de tv, além de barulhos e efeitos advindos de diversos bancos de som, usados por Heitor em trabalhos de publicidade.

Ligado à tradição dos cancionistas brasileiros e internacionais, Heitor Dantas sempre teve vontade de retomar a linha criativa desenvolvida por sua antiga banda, a Dorothy, que atuou entre o final dos anos 90 e início dos 2000. O grupo trabalhava com a desconstrução da canção popular, pensando a estrutura lírico-musical com a mesma liberdade que um compositor orquestral, um sound designer ou um engenheiro de mixagem.

Com 5 discos já lançados, além de participações em trabalhos de outros músicos e bandas, Heitor vem trabalhando com trilhas sonoras e produção musical. Entre seus principais trabalhos estão a trilha do passeio virtual Kirimurê (realizado pelo Grupo Indigente, da UFBA) e da instalação Miradas, de Maruzia Dultra. Além disso produziu em 2011 o disco "Agora Eu Sou o Silêncio" do grupo paulistano Tratak e o EP "A Realidade Difusa do Cotidiano" de Thiago David (RJ). Atualmente Heitor se dedica ao trabalho "Novas Aventuras no País do Som", de Tuzé de Abreu e ao trio de blues avant-gard Laia Gaiatta.

Depois de escolher 6 das músicas compostas - a faixa "Menino Tempo" foi incluída posteriormente -, Heitor passou o ano de 2012 se dedicando a pré-produção do material, todo gravado em casa. Em dezembro do mesmo ano, o EP começou a ser produzido. A escolha de Jorge Solovera para co-produzir as faixas foi natural, dada a afinidade entre ele e Heitor que remonta de projetos musicais anteriores. Pela multiplicidade de gêneros presentes no seu currículo, o produtor foi ideal para entender o conceito de fragmentação/desconstrução proposto pelos arranjos.

Vozes, coro, percussão, cordas e metais foram gravadas gravados no Estúdio Base, que apoiou o projeto. Assim como as baterias, executadas pelo experiente Mauro Tahin. Baixos e guitarras foram gravadas pelo próprio Heitor no Estúdio Assim Sim, de Jorge Solovera.

Mesmo antes de ser mixado, o trabalho foi inscrito em algumas premiações, tendo participado com duas músicas ("Singulário" e "Henry Miller Foi Mendigo") da Mostra Sesc de Música 2013 e da coletânea on line Bootleg 13´ do site Outros Críticos (PE).

O disco foi mixado e masterizado entre final de 2013 e começo de 2014 por Jorge Solovera em seu estúdio e a arte gráfica é de Glauber Guimarães. O EP conta com participações de Ronei Jorge, Mateus Dantas. Orlando Pinho e Eduardo César.

O Bon Appetit, Sucuri foi lançado no dia 19 de julho de 2014, com um pocket show no Café da Walter (Salvador/BA), contando com a participação de Nancy Viégas (Radiola), Tuzé de Abreu, Uru Pereira e Grupo Sotakes. As músicas do EP foram acompanhadas pelo grupo instrumental Tentrio, formado por Thiago Jende (bateria), Eduardo César (guitarra) e João Marques (baixo).


bon appetit, sucuri no youtube
www.youtube.com/watch?v=23RPOL1-bnQ

bon appetit, sucuri no soundcloud
soundcloud.com/babylixo/sets/bonappetitsucuri

credits

released July 19, 2014

Produzido por Heitor Dantas e Jorge Solovera entre dezembro de 2012 e março de 2014 nos estúdios Assim Sim e Base, Salvador-BA
Músicas e arranjos por Heitor Dantas
Mixado e Masterizado no Estúdio Assim Sim por Jorge Solovera
Arte por Glauber Guimarães

Heitor Dantas: baixo, guitarras, percussão e voz
Jorge Solovera: guitarras
Mauro Tahin: bateria

Músicos adicionais:
Hebert Pacífico: Flauta
Marco Docete: Trompete
Pedro Degaut: Trombone
Laís Tavares: Violoncelo
Mateus Dantas: Carpa, Tosco, Cobra na Panela, Tampa de Fogão
Orlando Pinho: Voz
Eduardo César: Guitarra
Coro por Heitor Dantas, Jorge Solovera e Ronei Jorge

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Baby Lixo Salvador, Brazil

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Track Name: Singulário
Tanto de falsa postura e eu pra variar
Variando com a temperatura do lugar

Bote sua ferradura e venha pro salão
Não precisa acupuntura ou mesmo compreensão
Já se foi a era de Aquário outra está ai
Como todo bom otário eu quero um souvenir

Pura emoção só se encontra aqui
E de grão em grão perde a razão desse existir

Sangra lento este assoalho crescendo capim
Homens jogando baralho, damas de patins
Charlie Chaplin dancing mambo, drinking gasoline
Living in the concrete jungle, yellow submarine

Rolo pelo chão, só você pedir
Peço de antemão a permissão pra desistir

Um leão por vez. Óleo pelo mar.
Banquete burguês. Doce jabá.
Quem de nós terá o que ninguém tem?
E aquele que dá quer ter também

Fora de questão, vida de atriz
Cresço à proporção que a multidão clama meu bis
Track Name: A Cabeça do Óbvio
Uma cabeça fria
Uma cabeça fria, imensa e só
Ao sol do meio-dia, nó da razão
Demarcando o espaço, intacto não

Mastigando a cidade
Faz ruir o concreto, nasce do chão

Uma cabeça exposta
Uma cabeça exposta e por que não?
Com o mundo nas costas, certa de si
É o que de melhor se pode atingir

É a dona da certeza
E a certeza é mesquinha, simples assim

Quem poderá detê-la?
Se ela arranca os cabelos
Se ela dorme entre nós, se é a nós que ela quer
Mesmo quando está errada
Vem nos dando explicação
É a cabeça quadrada
Brada a multidão

A cabeça do óbvio ligou seu motor
Incansável, devora tudo ao seu redor
E cada vez maior
Cada vez maior
A cabeça do óbvio já se acostumou

Quem dará providência
A este atípico drama?
Quando triste no breu brilha feito neon
Tem a única resposta
Tem a palavra final
Medo cravado nas costas
Sings the lovely crowd

La cabeza del obvio incendió tu motor
Incansable, devora todo alrededor
Es cada vez mayor
Cada vez mayor
A cabeça do óbvio já se acostumou
Track Name: Mundonela
Quando o trem desembesta
Vale o lugar marcado
Quem se aprontou pra a festa
Não vem mais

Mundonela, Mundonela
Sem escolha, pronta-entrega
Hoje é claro que já não há quem resista
Nem tecido que a navalha não abriu

Hoje não tem saída
Planta que não dá sombra
Morna, feroz, comprida
Sobre nós

Mundonela, Mundonela
Fura-bolos, passarela
Bem de perto posso ouvir você rosnar
Se de longe solidão
Pode ser que seja o fim
Não pretendo discutir a relação

Estou dentro e pronto pro que há
Inspiro o ar que posso e volto a argumentar
Contra o frigobar

Pelo guindaste espero
Sentado na calçada
Cantalorando boleros
Matinais

Mundonela, Mundonela
Track Name: Henry Miller Foi Mendigo
Não é a primeira, nem segunda, nem terceira vez
Que você se acha no direito de me condenar
Vejo que é difícil você compreender, perceber
Ou tentar se pôr no meu lugar

Não é a maneira e nem que fosse iria ajudar
Pode ser besteira e se pudesse já daria para começar - deixa estar: já cansei de tanto bê a bá
Já que coloquei essa questão em pauta
Na falta de um assunto melhor
Vez em quando um sentimento me arrebata, me assalta e leva até meu paletó
De fato isso não interessa em nada ao seu outdoor
Se me vir troque de calçada, não toque no assunto, dê risada
Anote num papel quatro por três, de zero a dez
A sua nota com uma breve tradução para o francês, eis - que então tereis
Via email a média compensada de sua pequenêz
Eu estive lá, eu vi, vou repetir:
Eu estive lá, estive perto de já não estar aqui
Estive em voga no seu ti ti ti

Vide o verso está impresso qual a direção
Em letras miúdas do tamanho de nossa imaginação
Na falta de paz temos pão, temos teto
Fiz o que era certo, fiz do coração objeto
Decorando a cela, pra combinar com as paredes da novela
Caso surja alguma chance de saída, me avise, pode me acordar no meio daquela avenida
Enquanto isso brotam pés de ritalina
Aromatizando as saias das meninas
Cada qual inventa a própria Palestina
Convida seu vizinho pra entrar, pra um chá
Peça à Deus ou ao Ratinho pra te ajudar
Um Jaguar, um afresco de Delacroix
Mas o que importa mesmo é ter saúde e sorte
E uma piada nova todo dia no meu celular
Esse que tá aqui, que cê vê, que hoje pouco ri
Que se cansou da bebedeira, quis sumir
Derrepente desaparecer
Ateando fogo na própria bandeira pra se aquecer
Esse mesmo, ranzinza, covarde
Tentando dessas cinzas construir cidade
Enquanto crê no que acredita nunca é tarde
Alô, alô imbecis
Sem um pingo de verdade nos "IS"

Henry Miller foi mendigo e de verdade quem não é??
Morou sujo em todos nós
Onde nascer é feroz e existir é maré

Crise no "paradize", no paradise
Catarse, guerra dos chips, das polaróides
Pela fresta espia o Doutor Freud sem entender
Os novos casos de PMD
Eu como bom menino branco, alfabetizado, não posso
Me queixar apesar de dilacerado por inteiro, sem exagero
Também não ajuda o sol de Salvador em janeiro
Falha no sinal
Bato com a cabeça contra a porta espessa do Taj Mahal
Obedeço às cegas, não solto grito
Tanto faz o crime deixa que de pronto eu admito
Entrego o ouro delivery, já embalado pra presente
Preso à armadilha sigo a vã cartilha do homem carente
De esquadros e escovas de dentes
Cartilha que não aceita jabá
Nela o que existe se concentra, febre de quarenta em dia de Iemanjá
Páprica sobre os óvulos da mãe mandrágora
Polpa prisma
O polvo é o marido da pólvora
Nada errado com Fabão
E a virtude está no meio
Track Name: De Dentro da Paisagem
De dentro da paisagem, confuso teorema
No ventre do problema alguém inventa a roda
Engorda e cresce livre de tudo o que é tacanho
Relembra o seu tamanho às terças e domingos

É claro que é dos gringos a culpa
Coragem pra enxergar o que há
Nem bem amanheceu
A praça anunciou

De dentro da paisagem, inferno inocentado
Escreva seu recado nas notas de dez pratas
Meninos com batatas, champagne ao fim da tarde
Estranha claridade, perdão de todo dia

Alto-lar, favor não prosseguir
Transgredir a linha do equador
Paisagem bicolor
Vasta como ela só
Xilindró
Chill in drops
Forte a ponto de insistir
E existir
Para além de mim

Façamos dessas tripas perucas
Que seja antes do mundo acabar
Prepare o cobertor
O grito já se ouviu

De dentro da paisagem
Track Name: A Alma das Coisas
Em todo canto cai a tarde
Nessa cidade um zum zum zum
Cubo de armar, nada a perder
Junto o que é pó, toço pra crescer
Ando sem porquê

Em todo o resto desencanto
Mas me levanto mesmo assim
Pode atacar. Teu karatê.
Não bastará o que eu tenho a dizer
É puro clichê

Sou cópia fosca da maioria
Da teoria mais elementar
Avançar pelo estreito portão
Vou com tudo que eu posso arriscar

Sou como a coisa, sou como a alma
Que cada coisa tenta conquistar
Ao findar de uma vez a ilusão
De que tem mesmo alma pra dar

Em todo abrigo uma desculpa
Já não preocupa onde dormir
Nem me explicar, nem merecer

Vez em quando sem causa precisa
Eis que o mundo pode se enganar
E apesar de uma parte indecisa
Você pode ter razão